6.19.2015
Desde pequena sou de admirar vitrines. Não sou compradora compulsiva, lido bem com a questão do dinheiro, mas vitrines me atraem como lâmpadas atraem mariposas. Um dia, simplesmente tive a certeza de ter encontrado o amor da minha vida. Eu estava tão certa disso que permiti que minha testa tocasse o vidro frio que me separava da minha nova paixão, as mãos postas ao lado do meu rosto, sorriso abobalhado. Nenhuma pessoa sã teria essa postura no meio de um shopping. Entrei na loja, calcei o meu baby, o pagamento foi aprovado e eu me vi a mulher mais feliz do mundo. Louca, extasiada, pulando no mesmo lugar.
Um ano atrás, vivi situação parecida, mas com um homem. Nós tivemos aquela conexão inicial, o papo era bom, eu era só sorrisos. Foi tão natural, tão simples quanto respirar. Me apaixonei tão facilmente que nem me dei conta, quando vi já tinha acontecido. Mal sabia eu que na verdade era um estrago sendo feito. A conexão inicial se evaporou no ar e estávamos tão perdidos um do outro que, quando nos esbarrávamos parecíamos dois estranhos. Não sabíamos mais conversar e quando tentávamos, brigávamos. Eu me tornei lágrimas, um mar delas. Entendi, mais tarde, que me encantei demais sem de fato conhecer a pessoa com quem eu estava. Eu estava amando a ideia do amor e fechei meus olhos para ver os indícios de que aquele príncipe era lobo, a história tinha prazo de validade e que não teria final feliz pra contar.
Num sábado a noite, meu romance se desfez outra vez. Meu amor por meus sapatos. Cega de paixão pelas expectativas, não percebi que os poucos passinhos que dei com eles em meus pés não podiam realmente atestar conforto. Não vi que sua costura atrás raspava no meu calcanhar, que agonizava toda vez que eu pensava em andar. Mas continuei andando. Senti a pele romper, o sangue vir, a bolha começar a se formar. Chorei, chorei horrores até não ver outra alternativa além de me descalçar.
Tirei os sapatos e terminei a noite de pés no chão da mesma forma como, a um tempinho atrás, dei fim naquele tormento amoroso com o tal cara. Meus pés ainda doem da mesma forma como meu peito ainda se aperta quando eu lembro. Mas aprendi a minha lição. Da mesma forma como a pessoa que deixamos levar nosso coração, o sapato em que enfiamos o pé precisa ser confortável, seguro, digno. Tem que mostrar ser mais do que os nossos olhos ingênuos veem a primeira vista. Pés e coração agora com band aids, estamos todos prontos pra outra.
4.16.2013
Ainda lembro de umas das muitas conversas que tive com a minha mãe em relação a sexo, em como ela falou que eu podia confiar nela sobre esse assunto porque ela queria que eu soubesse o máximo de coisas possíveis e não tivesse dúvidas, uma coisa que ela nunca teve chance de ter porque na adolescência dela minha avó nunca tocava nesses assuntos, havia tanto pudor e vergonha que tudo o que ela aprendeu veio das minhas tias mais velhas e bem, na prática.
Sim, houve um constrangimento inicial em falar sobre o assunto com ela e com qualquer outra pessoa, afinal, quem não fica envergonhado ao falar sobre sexo quando se tem treze ou quatorze anos? Quando eu tinha essa idade quase todo mundo tinha, hoje em dia as coisas estão mais fáceis em relação a isso, falar de sentimento mesmo é que ficou complicado.
As mídias, a internet em especial vem tornando tudo em relação ao sexo muito mais fácil. Amizades coloridas e o famoso P.A são coisas das quais eu não tinha ouvido a falar aos quatorze, hoje em dia as pessoas dessa idade já dizem que tem isso como preferência pra se "relacionar". Eu vejo essas coisas e me sinto como se tivesse nascido em outra era. E não, eu não estou afirmando que nunca beijei apenas por beijar, que nunca admirei o corpo alheio e etc. Estou dizendo que hoje em dia todo mundo vê isso como a parte fácil da coisa - o que é verdade - e não enxergam mais a necessidade do algo mais.
Em minhas rodinhas de amizades é super comum aparecer aquela frase já conhecida "será que ele gosta mesmo de mim?" ou "será que eu realmente gosto dele?", mas eu observei que ainda que entre os amigos os sentimentos são assuntos deixados pra escanteio. O pessoal quer saber primeiro de como é o corpo a corpo, só depois tentar entender do algo mais. É como trocar um buquê de flores por uma apalpada na bunda.
É muito fácil abrir o tumblr e digitar um texto de quinhentas palavras sobre amor, difícil mesmo é estar cara a cara e deixar teu coração falar. E isso me deixa triste, é como se todo bom romance tivesse sido invertido e colocado de lado, vamos deixar pra apreciar primeiro o que está ao alcance das mãos e dos olhos pra depois, se tiver tempo, a gente pensa num algo mais.
No final eu acabo sendo chamada de boba quando vejo um casal mais novo de mãos dadas na rua ou aquele de mais idade se apoiando um no outro com mais dificuldade pra caminhar. É porque é o tipo de relacionamento que eu quero pra mim e o que eu me recuso a deixar morrer. E se for pra ser boba por acreditar nisso, beleza, eu visto essa camisa.
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4.11.2013
Uma das maiores lembranças de quando eu era criança é do meu pai sentado na varanda de casa lendo um livro, isso quando eu tinha uns quatro anos. Um pouco mais tarde, ganhei o que hoje seria um "box" com alguns livros de contos de fada, lembro até hoje daquela caixa vermelha com uma corda trançada que mesmo me dando a maior coceira eu carregava no ombro toda boba. Pena que eu já não lembre mais que fim aqueles livros levaram.
Mais tarde comecei a ler de verdade, infantos juvenis e mais tarde autores brasileiros como Jorge Amado para a escola, acho que foi nessa época que eu realmente criei o hábito por ler. Posso não ter noção se jaquetas de couro ainda são tendência para esse inverno, mas sei quais livros vão ser lançados nessa estação. É estanho dizer isso sendo uma garota, sendo uma garota que tem um blog e mais ainda sendo uma garota que tem um blog quando assuntos como modas são justamente o tipo de coisa que dá certo nesse universo. Mas é a verdade.
Eu poderia ficar aqui e citar os benefícios de embarcar numa boa leitura e de como ela não é nada valorizada no nosso país, de como os livros aqui são caros e como a pouquíssimo incentivo ou investimento para formar novos leitores no Brasil, mas se você procura estar por dentro do assunto (e eu espero que esteja) você vai saber tudo sobre isso. Ao invés disso eu vim aqui apenas fazer um apelo: dê/se dê livros de presente!
Não precisa ser O livro, comece com uma leitura mais despretensiosa e mais leve. Comece aos poucos. Se tiver filhos ou irmãos mais novos incentive o hábito de ler desde a infância. É como tudo na vida, quanto mais cedo se aprende e se cultiva o hábito, melhor.
Só não venha com esse papo de que você não gosta realmente de ler. Alguma coisa você lê, não é verdade? Afinal, você esteve aqui lendo palavra por palavra do que eu escrevi. Procure apenas saber qual é o seu gênero favorito, o mesmo que você faz com filmes e seriados. Escolha uma capa atraente - já funcionou comigo - e investe nisso.
Ler é igual a manter um relacionamento, não funciona enquanto você não encontrar o enredo certo.
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3.28.2013
Durante essa semana, depois de achar um caderno antigo que eu não via a muito tempo e dar uma olhada no que a "antiga eu" escrevia e pensava acabei vendo o quanto meus conceitos e opiniões tinham mudado. Provavelmente se a Mayara que tinha só treze anos quando escreveu aquelas coisas me encontrasse na rua me colocaria na parede e perguntaria "mas o que é que você está fazendo com as nossas vidas?!".
É que hoje eu tenho algumas prioridades bem diferentes de quase cinco anos trás. Por exemplo, eu achava que aos dezoito anos eu já teria um trabalho fixo (não tenho) e já estaria morando sozinha (não estou). Com o passar do tempo e conforme você cresce suas perspectivas e ambições vão mudando contigo. Hoje eu dou graças a Deus pela boa relação que tenho com meus pais e em como eu me sinto confortável na casa deles - mesmo querendo mudar algumas coisas no meu próprio espaço, ainda que eu saiba que agora não rola.
Sei que pra muita gente morar com os pais ainda é um tremendo saco, mas vamos concordar que você sempre tem certos benefícios. Aqui em casa nós dividimos as tarefas domésticas. Meu pai por exemplo tem que limpar o nosso quintal (que não é pequeno), eu pego tarefas como lavar a louça, colocar roupa no varal, dar banho na Naná e limpar os quartos. Minha mãe cuida das outras tarefas da casa. Se eu morasse sozinha , num apartamento por exemplo, não teria quintal pra limpar, mas todas as outras tarefas que são divididas entre minha mãe e eu teriam que ser feitas apenas por mim e sem qualquer ajuda.
A televisão e seus seriados americanos com personagens mega independentes passam uma mensagem mega errada sobre o que é realmente viver sozinho. As vezes a coisa toda é bem solitária. Fazer comida é chato se você não leva jeito pra isso, nossas roupas aparecem limpas e dobradas em nosso guarda roupas porque passam por processos mágicos chamados "lavar e passar" e você, em algum momento da vida, vai sim recusar um programa com alguma amiga porque a casa está um caos ou porque guardou aquele dia pra dar uma geral.
Fora que, muitas pessoas que saem da casa dos pais porque já tem um dinheiro legal e acham que já podem se manter e manter a própria casa sozinhos, mas acabam voltando atrás simplesmente porque não tinham noção de como gastavam com internet, ar condicionado, telefone e afins porque as contas eram divididas.
Eu ainda acho que é sim possível ter uma privacidade e uma certa liberdade na casa dos seus pais se você viver num ambiente tranquilo e que o diálogo entre todos seja bem aberto. Pode ser que o que te incomoda seja um problema pequeno e que se resolva num único dia depois de uma conversa. Assim, você se prepara e prepara melhor seu próprio bolso pra quando a hora certa chegar.
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3.19.2013
“Acredito que se blindar não adianta de nada. Sim, com o tempo infelizmente algumas coisas vão te machucar de verdade, mas essa coisa de se fechar para o mundo é um tanto solitária. A verdade é que você tem que aprender a se preservar, estar atento sempre aos sinais que antes você podia não ver, mas agora sabe que estão lá. E entender que com qualquer envolvimento que você tenha na vida não existem garantias, é uma aposta na qual você pode ser muito feliz ou não.”
(Mayara Pereira)
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