4.16.2013

 Ainda lembro de umas das muitas conversas que tive com a minha mãe em relação a sexo, em como ela falou que eu podia confiar nela sobre esse assunto porque ela queria que eu soubesse o máximo de coisas possíveis e não tivesse dúvidas, uma coisa que ela nunca teve chance de ter porque na adolescência dela minha avó nunca tocava nesses assuntos, havia tanto pudor e vergonha que tudo o que ela aprendeu veio das minhas tias mais velhas e bem, na prática. 

 Sim, houve um constrangimento inicial em falar sobre o assunto com ela e com qualquer outra pessoa, afinal, quem não fica envergonhado ao falar sobre sexo quando se tem treze ou quatorze anos? Quando eu tinha essa idade quase todo mundo tinha, hoje em dia as coisas estão mais fáceis em relação a isso, falar de sentimento mesmo é que ficou complicado. 

 As mídias, a internet em especial vem tornando tudo em relação ao sexo muito mais fácil. Amizades coloridas e o famoso P.A são coisas das quais eu não tinha ouvido a falar aos quatorze, hoje em dia as pessoas dessa idade já dizem que tem isso como preferência pra se "relacionar". Eu vejo essas coisas e me sinto como se tivesse nascido em outra era. E não, eu não estou afirmando que nunca beijei apenas por beijar, que nunca admirei o corpo alheio e etc. Estou dizendo que hoje em dia todo mundo vê isso como a parte fácil da coisa - o que é verdade - e não enxergam mais a necessidade do algo mais. 

 Em minhas rodinhas de amizades é super comum aparecer aquela frase já conhecida "será que ele gosta mesmo de mim?" ou "será que eu realmente gosto dele?", mas eu observei que ainda que entre os amigos os sentimentos são assuntos deixados pra escanteio. O pessoal quer saber primeiro de como é o corpo a corpo, só depois tentar entender do algo mais. É como trocar um buquê de flores por uma apalpada na bunda. 

 É muito fácil abrir o tumblr e digitar um texto de quinhentas palavras sobre amor, difícil mesmo é estar cara a cara e deixar teu coração falar. E isso me deixa triste, é como se todo bom romance tivesse sido invertido e colocado de lado, vamos deixar pra apreciar primeiro o que está ao alcance das mãos e dos olhos pra depois, se tiver tempo, a gente pensa num algo mais.

 No final eu acabo sendo chamada de boba quando vejo um casal mais novo de mãos dadas na rua ou aquele de mais idade se apoiando um no outro com mais dificuldade pra caminhar. É porque é o tipo de relacionamento que eu quero pra mim e o que eu me recuso a deixar morrer. E se for pra ser boba por acreditar nisso, beleza, eu visto essa camisa.

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