3.28.2013
Durante essa semana, depois de achar um caderno antigo que eu não via a muito tempo e dar uma olhada no que a "antiga eu" escrevia e pensava acabei vendo o quanto meus conceitos e opiniões tinham mudado. Provavelmente se a Mayara que tinha só treze anos quando escreveu aquelas coisas me encontrasse na rua me colocaria na parede e perguntaria "mas o que é que você está fazendo com as nossas vidas?!".
É que hoje eu tenho algumas prioridades bem diferentes de quase cinco anos trás. Por exemplo, eu achava que aos dezoito anos eu já teria um trabalho fixo (não tenho) e já estaria morando sozinha (não estou). Com o passar do tempo e conforme você cresce suas perspectivas e ambições vão mudando contigo. Hoje eu dou graças a Deus pela boa relação que tenho com meus pais e em como eu me sinto confortável na casa deles - mesmo querendo mudar algumas coisas no meu próprio espaço, ainda que eu saiba que agora não rola.
Sei que pra muita gente morar com os pais ainda é um tremendo saco, mas vamos concordar que você sempre tem certos benefícios. Aqui em casa nós dividimos as tarefas domésticas. Meu pai por exemplo tem que limpar o nosso quintal (que não é pequeno), eu pego tarefas como lavar a louça, colocar roupa no varal, dar banho na Naná e limpar os quartos. Minha mãe cuida das outras tarefas da casa. Se eu morasse sozinha , num apartamento por exemplo, não teria quintal pra limpar, mas todas as outras tarefas que são divididas entre minha mãe e eu teriam que ser feitas apenas por mim e sem qualquer ajuda.
A televisão e seus seriados americanos com personagens mega independentes passam uma mensagem mega errada sobre o que é realmente viver sozinho. As vezes a coisa toda é bem solitária. Fazer comida é chato se você não leva jeito pra isso, nossas roupas aparecem limpas e dobradas em nosso guarda roupas porque passam por processos mágicos chamados "lavar e passar" e você, em algum momento da vida, vai sim recusar um programa com alguma amiga porque a casa está um caos ou porque guardou aquele dia pra dar uma geral.
Fora que, muitas pessoas que saem da casa dos pais porque já tem um dinheiro legal e acham que já podem se manter e manter a própria casa sozinhos, mas acabam voltando atrás simplesmente porque não tinham noção de como gastavam com internet, ar condicionado, telefone e afins porque as contas eram divididas.
Eu ainda acho que é sim possível ter uma privacidade e uma certa liberdade na casa dos seus pais se você viver num ambiente tranquilo e que o diálogo entre todos seja bem aberto. Pode ser que o que te incomoda seja um problema pequeno e que se resolva num único dia depois de uma conversa. Assim, você se prepara e prepara melhor seu próprio bolso pra quando a hora certa chegar.
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3.19.2013
“Acredito que se blindar não adianta de nada. Sim, com o tempo infelizmente algumas coisas vão te machucar de verdade, mas essa coisa de se fechar para o mundo é um tanto solitária. A verdade é que você tem que aprender a se preservar, estar atento sempre aos sinais que antes você podia não ver, mas agora sabe que estão lá. E entender que com qualquer envolvimento que você tenha na vida não existem garantias, é uma aposta na qual você pode ser muito feliz ou não.”
(Mayara Pereira)
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3.13.2013
Queria ter de volta minha cabeça dos meus seis anos de idade. Tudo era melhor, mais brilhante. E minha vida mais fácil não só naquele momento mas também nos próximos vinte anos porque eu já tinha definido tudo. Primeiro, no próximo natal eu ia ganhar a bicicleta do Bob. É, do “Fantástico mundo de Bob.” Aquela bicicleta era foda, te levava pra onde você quisesse ir, até pra outras dimensões e planetas. Quando eu fosse adulta seria veterinária, só cuidaria de cachorros e gatos lindos e saudáveis. Acho que não pensei bem nessa parte, se eles fossem sempre assim eu viveria de que? E eu amo demais animais pra vê-los sofrendo. Eu teria quatro filhos, dois meninos e duas meninas.
Mas também não pensei nisso, imagina pagar as faculdades! E não, eles não fariam uma Federal porque teriam a inteligência da mãe. Quanto ao pai deles, esse foi mudando com o tempo. Primeiro foi o Patrick Swayze, de “Dirty Dancing”, mas eu fui crescendo e ele envelhecendo. Por um longo tempo foi Antônio Banderas, com todo aquele charme espanhol e aquela márcara do Zorro, ai, a máscara do Zorro.
Daí veio a fase do Johnny Depp, acho que toda garota teve a fase do Johnny Deep. Mas essa passou logo, mesmo que eu ainda dê largos suspiros toda vez que ele olha penetrante pra alguma mulher em qualquer filme que for. Hoje, todo aquele planejamento dos meus seis anos de idade foi para o espaço, dando espaço a uma cabeça incrivelmente bagunçada e confusa de quase dezoito anos. Hoje eu não sei que faculdade vou cursar, por isso não sei que profissão vou seguir. Vou ter um filho só. Se for menino vai se chamar Theo ou Noah. Se for menina vai ser Manuella ou Cecília. Ainda tô trabalhando nisso. E o pai dele ou dela? Eu ainda não conheci. Mas eu ainda o idealizo mesmo que todo mundo me diga pra não o fazer. Ele vai usar óculos para leitura, vai amar livros bem diferentes dos que eu amo. Ele vai gostar de futebol também, vai ter uma profissão importante e dar duro no trabalho, mas dinheiro não vai ser tudo. Minha rotina de casada vai ser interrompida pelo menos duas vezes no mês e vamos fazer alguma coisa inusitada, talvez algo que eu tenha medo.
Minha vida vai ser melhor, brilhante, bagunçada e confusa. Como a menininha de seis anos sonhava, como a confusa de quase dezoito imagina e como a mulher louca aos trinta vai querer reinventar.
(Mayara Pereira.)
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3.11.2013
Que para cada passo que eu der em direção ao que ainda não conheço eu possa ter a confiança de que algo me espera, onde quer que eu vá chegar. E que seja algo bom. Que eu tenha a firmeza e a insegurança, a modéstia e a humildade de que o que quer que esteja a minha espera é fruto de tudo o que eu vim construindo até aqui.
O meu caminho não precisa necessariamente ser repleto de belezas, é preciso ver o lado feio do mundo sim para entender mais sobre ele e saber ser grata pela sua realidade. Nem sempre vai ser fácil (que bom!). Ainda tenho muita surra pra levar da vida, muito tombo pra cair. Mas eu sei que o importante disso tudo é o quão rápido eu vou conseguir me levantar.
Porque alcançar o que se quer não é sobre linhas retas. Requer saber andar em curvas, reconhecer quando se perde e saber dar a volta, parar e olhar novamente para frente quantas vezes forem preciso.
Que os meus pés estejam firmes e fincados ao chão, que meus joelhos sejam fortes e meus ideais firmes. Daí pronto, é só seguir.
(Mayara Pereira)
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3.06.2013
Nós dois ainda vamos juntos a Paris. Um piquenique embaixo da Torre Eiffel, vinho e morangos. Vamos comprar um cadeado, escrever nossos nomes nele e trancá-lo naquela ponte do amor eterno. Fotos com o efeito aquário na frente do Arco do Triunfo. Te chamar de mon amour e ouvir sua risada ao me chamar de ma petit. Eu quero Paris, amor eterno, vinho e morangos com você.
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3.01.2013
Coloquei meus sonhos em minhas malas e decidi meu rumo. Abracei meus pais, afaguei os pelos do meu cachorro e segui viagem apostando em nada além de mim mesma. Éramos eu, um fusca e um diário onde eu contava sobre meus dias para as páginas daquele caderno antigo.
Conheci gente nova, um músico mineiro formado em filosofia que dava consultas psicológicas em mesas de bar antes da sua banda se apresentar. Artistas de rua mochileiros que não precisavam de um teto, presavam a liberdade e achavam que as paredes de uma casa nunca os deixaria soltos de verdade.
Fiz uma parada longa em São Paulo, parei na 25 de março e como toda mulher gastei mais do que devia. Liguei pra minha mãe só pela necessidade de ouvir a voz dela outra vez. Saudade do ninho, eu sei, mas sem nenhuma ansiedade pra voltar.
Peguei muito caminho errado, conheci pessoas que eu queria poder apagar da mente. Perdi um pouco da minha ingenuidade, sabe? Vi coisas ruins que me assustaram de verdade, mas entendi que isso também faz parte de crescer e do risco de querer crescer com certa independência.
Mas continuo aí, no meio das estradas. Agora com livros antigos, fotografias e ainda com o diário. Esperando ter boas histórias pra viver, escrever e vir até aqui te contar.
(Mayara Pereira)
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