3.01.2013

 Coloquei meus sonhos em minhas malas e decidi meu rumo. Abracei meus pais, afaguei os pelos do meu cachorro e segui viagem apostando em nada além de mim mesma. Éramos eu, um fusca e um diário onde eu contava sobre meus dias para as páginas daquele caderno antigo. 

 Conheci gente nova, um músico mineiro formado em filosofia que dava consultas psicológicas em mesas de bar antes da sua banda se apresentar. Artistas de rua mochileiros que não precisavam de um teto, presavam a liberdade e achavam que as paredes de uma casa nunca os deixaria soltos de verdade. 

 Fiz uma parada longa em São Paulo, parei na 25 de março e como toda mulher gastei mais do que devia. Liguei pra minha mãe só pela necessidade de ouvir a voz dela outra vez. Saudade do ninho, eu sei, mas sem nenhuma ansiedade pra voltar. 

 Peguei muito caminho errado, conheci pessoas que eu queria poder apagar da mente. Perdi um pouco da minha ingenuidade, sabe? Vi coisas ruins que me assustaram de verdade, mas entendi que isso também faz parte de crescer e do risco de querer crescer com certa independência. 

 Mas continuo aí, no meio das estradas. Agora com livros antigos, fotografias e ainda com o diário. Esperando ter boas histórias pra viver, escrever e vir até aqui te contar.

(Mayara Pereira)

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