3.13.2013



 Queria ter de volta minha cabeça dos meus seis anos de idade. Tudo era melhor, mais brilhante. E minha vida mais fácil não só naquele momento mas também nos próximos vinte anos porque eu já tinha definido tudo. Primeiro, no próximo natal eu ia ganhar a bicicleta do Bob. É, do “Fantástico mundo de Bob.” Aquela bicicleta era foda, te levava pra onde você quisesse ir, até pra outras dimensões e planetas. Quando eu fosse adulta seria veterinária, só cuidaria de cachorros e gatos lindos e saudáveis. Acho que não pensei bem nessa parte, se eles fossem sempre assim eu viveria de que? E eu amo demais animais pra vê-los sofrendo. Eu teria quatro filhos, dois meninos e duas meninas. 

 Mas também não pensei nisso, imagina pagar as faculdades! E não, eles não fariam uma Federal porque teriam a inteligência da mãe. Quanto ao pai deles, esse foi mudando com o tempo. Primeiro foi o Patrick Swayze, de “Dirty Dancing”, mas eu fui crescendo e ele envelhecendo. Por um longo tempo foi Antônio Banderas, com todo aquele charme espanhol e aquela márcara do Zorro, ai, a máscara do Zorro. 

 Daí veio a fase do Johnny Depp, acho que toda garota teve a fase do Johnny Deep. Mas essa passou logo, mesmo que eu ainda dê largos suspiros toda vez que ele olha penetrante pra alguma mulher em qualquer filme que for. Hoje, todo aquele planejamento dos meus seis anos de idade foi para o espaço, dando espaço a uma cabeça incrivelmente bagunçada e confusa de quase dezoito anos. Hoje eu não sei que faculdade vou cursar, por isso não sei que profissão vou seguir. Vou ter um filho só. Se for menino vai se chamar Theo ou Noah. Se for menina vai ser Manuella ou Cecília. Ainda tô trabalhando nisso. E o pai dele ou dela? Eu ainda não conheci. Mas eu ainda o idealizo mesmo que todo mundo me diga pra não o fazer. Ele vai usar óculos para leitura, vai amar livros bem diferentes dos que eu amo. Ele vai gostar de futebol também, vai ter uma profissão importante e dar duro no trabalho, mas dinheiro não vai ser tudo. Minha rotina de casada vai ser interrompida pelo menos duas vezes no mês e vamos fazer alguma coisa inusitada, talvez algo que eu tenha medo. 

 Minha vida vai ser melhor, brilhante, bagunçada e confusa. Como a menininha de seis anos sonhava, como a confusa de quase dezoito imagina e como a mulher louca aos trinta vai querer reinventar.

                                                          (Mayara Pereira.)

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